O que é SRE? Conheça a Engenharia de Confiabilidade de Sites

Descubra o que é SRE e como a automação e inteligência artificial previnem falhas e elevam a performance do seu negócio.

24 março, 2025
o que é SRE?
Tatiane Maestrello
Tatiane Maestrello
24 março, 2025

Afinal, o que é SRE? O Site Reliability Engineering é uma das metodologias mais citadas no universo da confiabilidade de sites, mas será que você a conhece bem?

A verdade é que todo negócio que deseja manter suas aplicações funcionando corretamente precisa de SRE. E em um mundo onde softwares, aplicativos e sistemas fazem parte da rotina de pessoas e empresas, não é difícil entender sua importância.

Neste artigo, queremos aprofundar no tema e ir além do conceito, demonstrando aspectos importantes sobre seu surgimento, interação com DevOps e muito mais. Boa leitura!  

O que é SRE?

SRE (Engenharia de Confiabilidade do Site) é uma metodologia de engenharia de software aplicada nas operações de TI que emprega ferramentas automatizadas para garantir a estabilidade dos sistemas digitais.

Vale dizer que o termo Site Reliability Engineering foi usado pela primeira vez em 2003 por Ben Treynor Sloos, vice-presidente de engenharia do Google nos EUA na época. Ele criou a abordagem ao liderar uma equipe de sete engenheiros de software responsáveis pelas operações da plataforma.  

De forma resumida, a prática de SRE envolve a automação de tarefas de infraestrutura de TI, como monitoramento de aplicativos e o gerenciamento de sistemas. Para isso, utiliza ferramentas de software.  

Empresas adotam essa estratégia para assegurar a confiabilidade contínua de seus aplicativos de software, mesmo com as constantes atualizações das equipes de desenvolvimento.  

DevOps x SRE: entenda as diferenças

Muitos profissionais confundem SRE e DevOps. Entretanto, embora possam se complementar, essas metodologias têm diferenças importantes entre si. Confira um breve resumo:

AspectoDevOpsSRE
Objetivo / Foco  Entrega rápida e de alta qualidade, com ênfase em cultura, automação e design de plataforma.Equilibrar a manutenção da confiabilidade dos sites com a criação de novas funcionalidades.  
Abordagem  Integração entre equipes de desenvolvimento e operações por meio de práticas culturais e tecnológicas.  Implementação do DevOps por meio de engenheiros de SRE que unem habilidades de desenvolvimento e operações.  
Papel da Equipe  Equipes colaborativas que trabalham para otimizar o pipeline de desenvolvimento.  Os Engenheiros de confiabilidade (SRE) aliviam a sobrecarga operacional dos desenvolvedores e melhoram a comunicação e fluxo.  
Benefícios  Ciclos de desenvolvimento mais rápidos, maior agilidade e qualidade nos serviços.  Além dos benefícios do DevOps, foca na resolução de problemas operacionais e na garantia da estabilidade dos sistemas.  
Tecnologias  Forte uso de containers, Kubernetes e microsserviços para inovar e manter a segurança.  Apoia-se nas mesmas tecnologias, mas com ênfase na especialização para assegurar a confiabilidade dos sites.  

Como SRE surgiu?

Site Reliability Engineering (SRE) nasceu a partir dos desafios do Google relacionados à escalabilidade e confiabilidade de sua infraestrutura.

Após grandes desafios, os engenheiros perceberam que os métodos tradicionais de operação não o ajudariam. Isso porque, eles lidavam com ambiente complexo e em constante crescimento.

Liderada por Ben Treynor, a equipe responsável pela confiabilidade dos serviços propôs uma nova forma de operar sistemas: tratar a operação de maneira similar ao desenvolvimento de software.

Dessa forma, passaram a adotar práticas de engenharia, automação de tarefas e o uso de métricas quantitativas para atingir e manter altos níveis de confiabilidade.

Com a digitalização das empresas,  SRE se consolidou na indústria de tecnologia. Afinal, seu maior diferencial é incentivar a adoção de práticas proativas e orientadas a dados para oferecer a melhor experiência possível aos usuários.

Os 3 princípios de SRE

Site Reliability Engineering (SRE) baseia suas práticas em três princípios fundamentais que asseguram a confiabilidade, agilidade e resiliência dos sistemas. Assim, cada um desses princípios contribui para a operação eficiente e contínua dos serviços digitais.

Acompanhe!

1. Monitoramento das aplicações

As equipes de SRE partem do princípio de que os erros fazem parte do processo de implantação. Dessa maneira, em vez de buscar uma solução perfeita, elas investem no monitoramento constante da performance dos sistemas utilizando métricas quantitativas, como:

  • SLAs (Acordos de Serviço): estabelecem as expectativas formais de desempenho e disponibilidade;
  • SLIs (Indicadores de Nível de Serviço): medem aspectos específicos da performance, como tempo de resposta e taxa de erro;
  • SLOs (Objetivos de Nível de Serviço): definem metas quantitativas para que os serviços atinjam padrões de qualidade.

Com essa abordagem, as métricas de performance são constantemente avaliadas. Dessa forma, conseguimos identificar problemas de forma precoce e implementar as correções necessárias.

2. Implementação das mudanças

Para manter a confiabilidade dos sistemas, SRE incentiva a liberação de mudanças de forma frequente e incremental. Portanto, essa estratégia se baseia na ideia de que mudanças menores e constantes trazem benefícios significativos, tais como:

  • redução dos riscos: pequenas alterações facilitam a identificação de problemas e, se necessário, a reversão das mudanças sem grandes impactos;
  • ciclos de feedback contínuos: a cada mudança implementada, o desempenho do sistema é medido, proporcionando dados valiosos que ajudam a ajustar e aprimorar as próximas atualizações;
  • aumento da velocidade e eficiência: processos consistentes e repetíveis, apoiados por ferramentas de automação, permitem uma implementação mais ágil e segura das mudanças.

Essa metodologia possibilita uma evolução constante do sistema, onde cada pequena mudança é avaliada em termos de impacto na confiabilidade, garantindo que o serviço se mantenha estável.

3. Automação de processos

A automação é o elemento que integra os princípios de confiabilidade em todas as etapas do pipeline de entrega. No contexto de SRE, a automação se manifesta por meio de estratégias que resolvem problemas de forma proativa, incluindo:

  • desenvolvimento de portões de qualidade: utilizando objetivos de nível de serviço (SLOs), são criados mecanismos para detectar problemas mais cedo, antes que eles afetem a operação;
  • automatização dos testes de compilação: a verificação dos builds é realizada automaticamente por meio de indicadores de nível de serviço, garantindo que cada atualização atenda aos padrões definidos;
  • decisões arquitetônicas resilientes: desde o início do desenvolvimento, são tomadas decisões que asseguram a resiliência do sistema, minimizando a possibilidade de falhas graves.

Ao reduzir a intervenção manual e padronizar os processos, a automação contribui para uma operação mais robusta e eficiente, facilitando a identificação e correção de problemas em tempo real.

As principais métricas de SRE

No contexto de Site Reliability Engineering (SRE), a medição da qualidade e confiabilidade dos serviços digitais é essencial para garantir que as aplicações operem conforme o esperado.

Para isso, as equipes de SRE utilizam um conjunto de métricas que permitem monitorar e ajustar o desempenho dos sistemas. As principais métricas são:

1. Objetivos de Nível de Serviço (SLOs)

Os SLOs definem metas específicas e quantificáveis que um software deve atingir, considerando um custo razoável para outras métricas. Eles estabelecem os parâmetros de desempenho que o serviço deve alcançar, como:

  • tempo de atividade: mede o período em que o sistema permanece operacional;
  • throughput e saída do sistema: avaliam a capacidade e eficiência do processamento;
  • taxa de download: indica a velocidade com que a aplicação é carregada.

Por exemplo, um SLO pode determinar um tempo de atividade de 99,95% para um aplicativo, assegurando uma entrega consistente e confiável do serviço.

2. Indicadores de Nível de Serviço (SLIs)

Os SLIs são as medidas reais que verificam se os SLOs estão sendo cumpridos. Eles traduzem, em dados concretos, o desempenho do sistema.

Assim, se um SLO define 99,95% de tempo de atividade e a aplicação atinge 99,92%, o SLI indicará que houve um desvio em relação à meta estabelecida.

3. Acordos de Nível de Serviço (SLAs)

Os SLAs são documentos legais que estabelecem as responsabilidades e as ações a serem tomadas quando os SLOs não são atendidos.

Eles determinam, por exemplo, que a equipe técnica deve resolver um problema dentro de 24 horas após seu relato, e podem prever penalidades, como reembolso, se os prazos não forem cumpridos.

4. Orçamentos de erro

Os orçamentos de erro representam a tolerância permitida para a não conformidade com os SLOs. Por exemplo, se um SLO estipula um tempo de atividade de 99,95%, isso implica um orçamento de erro de 0,05% de inatividade.

Caso o tempo de inatividade ultrapasse esse limite, a equipe deve concentrar seus esforços para estabilizar a aplicação.

Qual a importância da Engenharia de Confiabilidade de Sites?

A Engenharia de Confiabilidade de Sites (SRE) é fundamental para garantir que as aplicações digitais mantenham uma operação estável e de alta qualidade mesmo após sua implantação aos usuários finais.

Sua importância reside em assegurar que a experiência do cliente não seja comprometida por falhas técnicas e que o serviço permaneça confiável, dessa forma, mesmo em ambientes dinâmicos onde mudanças frequentes são necessárias.

Quando os desenvolvedores implementam novas funcionalidades ou corrigem bugs, há o risco de que alterações impactem negativamente o funcionamento da aplicação. Nesse contexto, SRE se destaca ao:

  • facilitar a colaboração entre equipes: ao integrar práticas que aproximam desenvolvimento e operações, SRE garante que as atualizações sejam monitoradas de perto e que qualquer problema seja identificado e resolvido rapidamente;
  • aprimorar o planejamento operacional: com o reconhecimento da possibilidade real de falhas, as equipes podem elaborar planos de resposta a incidentes que minimizam o impacto do tempo de inatividade, estimando de forma mais precisa os custos e as repercussões dessas falhas;
  • manter a integridade do serviço: por meio de monitoramento contínuo e automação, SRE permite que erros sejam detectados antes que afetem significativamente o usuário, mantendo a estabilidade e a qualidade do software.

Em resumo, a Engenharia de Confiabilidade de Sites não apenas protege a integridade das aplicações, como impulsiona a capacidade de inovação e a eficiência operacional. E esses são elementos essenciais para a competitividade dos negócios digitais.

As melhores práticas de SRE

Para alcançar um trabalho de grande performance em Engenharia de Confiabilidade do Site, é essencial conhecer as melhores práticas. A seguir, veja algumas delas.  

Filosofia KISS 

A filosofia “Keep It Simple, Stupid” (KISS) é considerada uma referência para equipes de SRE. Ela se baseia em quatro itens: 

  • silêncio: quando uma aplicação não tem nada de importante a dizer, ele não deve dizer nada; 
  • simplicidade: focar em projetar a simplicidade, adicionando complexidade apenas quando necessário; 
  • robustez: alcançada por meio da combinação de transparência com simplicidade. 

Manutenção de funções definidas 

A área de TI exige concentração e interrupções podem gerar problemas graves em um sistema. Para evitar isso, é importante que cada membro da equipe tenha suas funções bem definidas e sem sobrecarga.  

Dessa forma, os processos se tornam mais ágeis e, por conseguinte, evita-se chamadas desnecessárias. Tudo isso reduz a lentidão na resolução de problemas. 

Compreensão dos testes de software 

Os testes de software tradicionais consistem em duas partes: 

  • testes de integração: visam analisar o desempenho dos elementos montados em componentes maiores; 
  • testes de sistema: são testes em larga escala, que se concentram em performance, regressão, estresse, etc. 

Enfim, percebe-se que a aplicação de boas práticas de SRE é fundamental para empresas que buscam um desenvolvimento constante em tecnologia. 

Quais os benefícios de SRE para sua empresa?

A adoção de SRE traz benefícios estratégicos que impactam diretamente a eficiência operacional e a qualidade dos serviços.

A seguir, exploraremos como essa abordagem melhora a colaboração entre as equipes, e aprimora o planejamento de resposta a incidentes.

Otimiza a colaboração

As práticas de SRE promovem uma melhor colaboração entre as equipes de desenvolvimento e operações.  Posto isso, em muitos casos, os desenvolvedores precisam fazer alterações rapidamente para lançar novos recursos ou corrigir bugs críticos.

Por outro lado, a equipe de operações deve garantir a prestação de serviços de forma consistente.  Assim, a equipe de operações utiliza as práticas de SRE para monitorar cada atualização de perto e responder rapidamente a quaisquer problemas decorrentes das mudanças. 

Melhora a experiência do cliente

As organizações adotam modelos de SRE para garantir que os erros de software não afetem a experiência do cliente. Exemplo disso é quando as equipes de software utilizam ferramentas de SRE para automatizar o ciclo de vida do desenvolvimento de software.

Com isso, haverá uma redução de erros – o que permite que a equipe priorize o desenvolvimento de novos recursos em vez de correções de bugs. 

Aprimora o planejamento da operação

Entendendo o que é SRE, fica mais fácil para as equipes reconhecerem que há uma chance realista de falhas no software.

Por isso, fazer um planejamento de respostas adequadas aos incidentes para minimizar o impacto do tempo de inatividade nos negócios e nos usuários finais é fundamental.  

Além disso, é possível estimar melhor o custo do tempo de inatividade e compreender a repercussão desses incidentes nas operações de negócios. 

Tendências de SRE para 2025

Em 2025,  SRE continuará evoluindo e se integrando com outras práticas e tecnologias, como DevOps, inteligência artificial, automatização avançada e prevenção de problemas.

Com a convergência entre SRE e DevOps, conseguimos unir a confiabilidade dos serviços e a colaboração e automação entre desenvolvimento e operações. Assim, temos equipes mais ágeis, capazes de entregar softwares de qualidade em menos tempo.  

Além disso, a crescente aplicação de IA e Machine Learning em SRE permite análises preditivas de incidentes. Ou seja, ajuda a identificar problemas antes mesmo que ocorram, sugerindo ações preventivas para evitar interrupções nos serviços.

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